A manhã começou diferente. Na entrada do galpão, Edwin o aguardava.
—
Uau! A caminhonete está demais, hein?!
—
Sim! Um colega meu fez o projeto de revitalização.
—
Ficou um espetáculo.
—
Quer que te mostre?
—
Agora não, Rainen, na verdade, gostaria que me acompanhasse até a minha sala.
Esse era o modo como Edwin se referia a uma sala de 4 m², que ficava próximo ao depósito. Pasmem ou não, ele era o representante máximo da Dezinea fora da Holanda.
—
Sente-se, por favor.
—
Obrigado.
De
uma das gavetas, Edwin pegou dois envelopes. De um retirou documentos, fez uma
breve conferência e mostrou ao rapaz.
—
Esse é o seu contrato de trabalho conosco. Confere?
E
entregou a Rainen, que o conferiu e devolveu.
—
Confere sim.
—
Ótimo.
Guardou
o documento no envelope e o colocou em um canto. Abriu o segundo envelope e
retirou os documentos, todos com campos em branco, e lhe mostrou.
—
Rainen, como você concluiu com louvor o curso ministrado por Johan, estou apto
a refazer o seu contrato com a Dezinea. Logo, gostaria que lesse o novo
documento. Tudo bem?
—
Claro. — Após uma breve leitura, ele interpelou: — Isso está certo? Diz aqui
que o meu salário vai triplicar.
—
Sim, está correto. Eu mesmo acompanhei a confecção desse documento.
— Só
diminuiu o tempo de contrato.
—
Infelizmente, mas creio que ainda haja muita coisa para acontecer, então isso
pode mudar.
—
Espero que sim. — Ele apoiou o documento na mesa. — Onde assino?
—
Aqui e aqui. — Edwin apontou os campos no final da página. — Guarde a segunda
via com você, tudo bem?
—
Tudo.
—
Ótimo. Agora vamos para o laboratório.
Johan
aguardava os dois com certa ansiedade. No meio do laboratório, uma peça coberta
por um pano.
— Tá
até parecendo uma festa de aniversário surpresa — Rainen observou curioso.
—
Quase isso. Veja. — Edwin o levou para perto do pano, revelando o que havia por
baixo. — Esse é o motor base, utilizado para o desenvolvimento de todos os
produtos da Dezinea. É o DN-1.
— Já
tinha ouvido falar dele, desde o curso técnico. Infelizmente foi de forma
negativa.
— Eu
imagino. O que faz com que nossas atuais atitudes tenham maior peso e maior
sentido.
—
Ainda não entendo bem Edwin. Você quer que eu me especialize nesse motor?
—
Não. É algo mais aprofundado, algo mais revolucionário. — E olhou para Johan.
—
Tipo…
—
Preciso que você reestruture esse motor.
—
Mas eu não…
—
Espere! — o interrompeu. — Nem precisa começar. O projeto que você fez no curso
técnico mostrava que você era perfeitamente capaz de fazer isso. E presumo que,
somado aos conhecimentos passados pelo Johan, você consiga, sim, sair da base
do motor, até a implantação dele no veículo.
— É
algo ambicioso, Edwin. Tem certeza de que vai confiar isso nas mãos do garoto?
— Johan sentia o peso da responsabilidade.
—
Sim, Johan! Tenho certeza de que Rainen é capaz. E não suporto mais a cúpula da
empresa, mentalmente submissa, sem tentar nada para reverter a nossa situação.
Por isso fiz o possível para que abrissem uma unidade fora da Holanda e me
candidatei à vaga. Longe da sede, teríamos mais liberdade para testar
inovações.
—
Nesse ponto você está mais que correto — concordou o velho amigo.
Edwin
olhou para Rainen e pediu:
— Vê
o motor? Faça com ele o que achar que deve. No almoxarifado temos alguns lotes
dele e de outros modelos. Pegue o que precisar.
Rainen
entendeu a proporção das coisas que aconteciam ali.
— Obrigado pela confiança, Edwin. Espero não decepcioná-lo.
— Você não irá.

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