Ardes - Capítulo 143

 

A manhã começou diferente. Na entrada do galpão, Edwin o aguardava.

— Uau! A caminhonete está demais, hein?!

— Sim! Um colega meu fez o projeto de revitalização.

— Ficou um espetáculo.

— Quer que te mostre?

— Agora não, Rainen, na verdade, gostaria que me acompanhasse até a minha sala.

Esse era o modo como Edwin se referia a uma sala de 4 m², que ficava próximo ao depósito. Pasmem ou não, ele era o representante máximo da Dezinea fora da Holanda.

— Sente-se, por favor.

— Obrigado.

De uma das gavetas, Edwin pegou dois envelopes. De um retirou documentos, fez uma breve conferência e mostrou ao rapaz.

— Esse é o seu contrato de trabalho conosco. Confere?

E entregou a Rainen, que o conferiu e devolveu.

— Confere sim.

— Ótimo.

Guardou o documento no envelope e o colocou em um canto. Abriu o segundo envelope e retirou os documentos, todos com campos em branco, e lhe mostrou.

— Rainen, como você concluiu com louvor o curso ministrado por Johan, estou apto a refazer o seu contrato com a Dezinea. Logo, gostaria que lesse o novo documento. Tudo bem?

— Claro. — Após uma breve leitura, ele interpelou: — Isso está certo? Diz aqui que o meu salário vai triplicar.

— Sim, está correto. Eu mesmo acompanhei a confecção desse documento.

— Só diminuiu o tempo de contrato.

— Infelizmente, mas creio que ainda haja muita coisa para acontecer, então isso pode mudar.

— Espero que sim. — Ele apoiou o documento na mesa. — Onde assino?

— Aqui e aqui. — Edwin apontou os campos no final da página. — Guarde a segunda via com você, tudo bem?

— Tudo.

— Ótimo. Agora vamos para o laboratório.

Johan aguardava os dois com certa ansiedade. No meio do laboratório, uma peça coberta por um pano.

— Tá até parecendo uma festa de aniversário surpresa — Rainen observou curioso.

— Quase isso. Veja. — Edwin o levou para perto do pano, revelando o que havia por baixo. — Esse é o motor base, utilizado para o desenvolvimento de todos os produtos da Dezinea. É o DN-1.

— Já tinha ouvido falar dele, desde o curso técnico. Infelizmente foi de forma negativa.

— Eu imagino. O que faz com que nossas atuais atitudes tenham maior peso e maior sentido.

— Ainda não entendo bem Edwin. Você quer que eu me especialize nesse motor?

— Não. É algo mais aprofundado, algo mais revolucionário. — E olhou para Johan.

— Tipo…

— Preciso que você reestruture esse motor.

— Mas eu não…

— Espere! — o interrompeu. — Nem precisa começar. O projeto que você fez no curso técnico mostrava que você era perfeitamente capaz de fazer isso. E presumo que, somado aos conhecimentos passados pelo Johan, você consiga, sim, sair da base do motor, até a implantação dele no veículo.

— É algo ambicioso, Edwin. Tem certeza de que vai confiar isso nas mãos do garoto? — Johan sentia o peso da responsabilidade.

— Sim, Johan! Tenho certeza de que Rainen é capaz. E não suporto mais a cúpula da empresa, mentalmente submissa, sem tentar nada para reverter a nossa situação. Por isso fiz o possível para que abrissem uma unidade fora da Holanda e me candidatei à vaga. Longe da sede, teríamos mais liberdade para testar inovações.

— Nesse ponto você está mais que correto — concordou o velho amigo.

Edwin olhou para Rainen e pediu:

— Vê o motor? Faça com ele o que achar que deve. No almoxarifado temos alguns lotes dele e de outros modelos. Pegue o que precisar.

Rainen entendeu a proporção das coisas que aconteciam ali.

— Obrigado pela confiança, Edwin. Espero não decepcioná-lo.

— Você não irá.

Nenhum comentário:

GUINEFAZ (História: Delas - Amor Proibido) [2]

Como instrutora e supervisora de sucubismo, Guinefaz tinha renome no Inferno, porém ambicionava ainda mais. Por esse motivo, viu na novata, ...