Ardes - Capítulo 128

 

No emprego, o seu horário permanecia inalterado, e com o esposo chegando em casa só após às 20 horas, fez a matrícula no curso da prefeitura, ocupando todo o período da tarde. Chegava em sua residência por volta de 18h15. Arrumava o que tinha de arrumar: fazia a janta, que também seria o seu almoço no dia seguinte, tomava banho, estudava. Com a indiferença do esposo, Letícia se acostumou a ficar só, trabalhando seus pensamentos. E isso continuou, mesmo após a reabilitação de Onofre.

Quando o esposo chegava em casa, a mesa estava posta. Ele subia para tomar banho e Letícia colocava as panelas para esquentar. Quando descia, a janta quente o aguardava. Calado, ele se servia, comia, se levantava e ia para o quarto dormir. Letícia se abatia com aquilo, mas, naquele dia, a rotina foi quebrada por simples palavras:

— O tempo passa e o seu tempero fica cada vez mais gostoso.

Ouvir aquilo fez a mente de Letícia entrar em conflito com o seu emocional. Queria explodir em revolta e ira, cuspindo a sua indignação e insatisfação com o abandono, a negligência, a estupidez do marido. Foram meses de uma vida nivelada por baixo, desregrada, aflitiva em vários aspectos. Há muito tempo eles apenas sobreviviam. Agora, depois de meses, ele voltava a lhe dirigir a palavra? O que para ela era uma abertura, uma possibilidade. Sentiu então que era a hora, sabia que a razão estava ao seu lado, sabia da responsabilidade de Onofre em tudo aquilo. Ela se endireitou na cadeira. Sentiu o rosto quente. Inspirou, o encarou, o emocional se aquietou, o raciocínio agiu, quando sua boca se moveu dizendo:

— Que bom que gostou. Fiz pensando em um que comi na casa da dona Edith.

As palavras transportaram Onofre para um passado distante. Ele se lembrou da mãe, Edith, e dos irmãos. Uma época que guardava com muito amor e carinho. Período esse em que também conheceu a esposa. De volta ao momento presente, ele segurou a mão da mulher.

— Obrigado!

Letícia entendeu que o agradecimento não era apenas pela refeição e, superando as dores da vida, conversaram durante o restante do jantar, e também enquanto arrumavam a cozinha. Ela ficou surpresa ao vê-lo ajudá-la após a refeição.

O horário passou e chegou a hora de dormirem. Diferente dos dias anteriores, Onofre se deitou sem sequer lhe dar um boa-noite. Letícia não ligou muito. Foi ao banheiro, escovou os cabelos e os prendeu, vestiu um shortinho e a blusa do pijama e se deitou. Contudo, sua mente trabalhava as informações do acontecido há pouco, espantando o seu sono.

“A palavra branda fez com que ele se abrisse e se aproximasse. Talvez, se eu apelasse para a razão, tivéssemos começado uma discussão, e o resultado seria desastroso. Acho que, se eu seguir por esse caminho, conseguirei reestrutu…”

Cessou o pensamento ao sentir a mão do marido passar por sua cintura e para em sua barriga. Ela não conseguiu segurar a respiração arfada. A mão a segurava de forma suave.

“Ele… ele está me acariciando. Isso quer dizer que ele me…”

Mordeu os lábios quando a mão desceu mais e tocou o seu clitóris. De imediato, ficou molhada e ele percebeu. Bruscamente a puxou para si e a beijou com volúpia, descendo em seguida para o seu pescoço e seios. A barba por fazer a arranhava, mas o seu cérebro ignorava a dor em nome do prazer.

Com um puxão, ele retirou o short e a calcinha de Letícia, e ela, com outro, a blusa, deixando os grandes seios à mostra. E, num movimento bruto e direto, Onofre a penetrou. Ardia, queimava, mas havia um desejo pelo marido, a necessidade de sexo, a subserviência… a dor. Letícia entrou em colapso e gozou. Ele sentiu o seu membro recebendo o jato de líquido quente, além dos espasmos, os tremores, o prazer de sua mulher. Letícia sentiu a mão do esposo em seu pescoço, como se tentasse esganá-la e, quase sem conseguir respirar, ela sorriu. Virou-se de lado e só então ele começou os movimentos, similares ao primeiro, em força e brutalidade. Letícia, ainda em confusão, gozava a cada três ou quatro movimentos de Onofre.

— Eu… não aguento… mais…

Em 4 minutos de relação, ela teve mais de 15 orgasmos.

— Dessa vez, preciso que aguente.

Onofre sabia que a esposa era detentora de orgasmos múltiplos, e que o longo tempo sem sexo, a deixara bem sensível.

“Terei que corrigir isso”,

Ele fez um último movimento e ejaculou. Exausta Letícia apagou. O esposo a abraçou e cobriu com o cobertor. Ainda levou um tempo até adormecer.

Nenhum comentário:

GUINEFAZ (História: Delas - Amor Proibido) [2]

Como instrutora e supervisora de sucubismo, Guinefaz tinha renome no Inferno, porém ambicionava ainda mais. Por esse motivo, viu na novata, ...