No emprego, o seu horário permanecia inalterado, e com o esposo chegando em casa só após às 20 horas, fez a matrícula no curso da prefeitura, ocupando todo o período da tarde. Chegava em sua residência por volta de 18h15. Arrumava o que tinha de arrumar: fazia a janta, que também seria o seu almoço no dia seguinte, tomava banho, estudava. Com a indiferença do esposo, Letícia se acostumou a ficar só, trabalhando seus pensamentos. E isso continuou, mesmo após a reabilitação de Onofre.
Quando
o esposo chegava em casa, a mesa estava posta. Ele subia para tomar banho e
Letícia colocava as panelas para esquentar. Quando descia, a janta quente o
aguardava. Calado, ele se servia, comia, se levantava e ia para o quarto
dormir. Letícia se abatia com aquilo, mas, naquele dia, a rotina foi quebrada
por simples palavras:
— O tempo passa e o seu tempero fica cada vez mais gostoso.
Ouvir
aquilo fez a mente de Letícia entrar em conflito com o seu emocional. Queria
explodir em revolta e ira, cuspindo a sua indignação e insatisfação com o
abandono, a negligência, a estupidez do marido. Foram meses de uma vida
nivelada por baixo, desregrada, aflitiva em vários aspectos. Há muito tempo
eles apenas sobreviviam. Agora, depois de meses, ele voltava a lhe dirigir a
palavra? O que para ela era uma abertura, uma possibilidade. Sentiu então que
era a hora, sabia que a razão estava ao seu lado, sabia da responsabilidade de
Onofre em tudo aquilo. Ela se endireitou na cadeira. Sentiu o rosto quente.
Inspirou, o encarou, o emocional se aquietou, o raciocínio agiu, quando sua
boca se moveu dizendo:
—
Que bom que gostou. Fiz pensando em um que comi na casa da dona Edith.
As
palavras transportaram Onofre para um passado distante. Ele se lembrou da mãe,
Edith, e dos irmãos. Uma época que guardava com muito amor e carinho. Período
esse em que também conheceu a esposa. De volta ao momento presente, ele segurou
a mão da mulher.
—
Obrigado!
Letícia
entendeu que o agradecimento não era apenas pela refeição e, superando as dores
da vida, conversaram durante o restante do jantar, e também enquanto arrumavam
a cozinha. Ela ficou surpresa ao vê-lo ajudá-la após a refeição.
O
horário passou e chegou a hora de dormirem. Diferente dos dias anteriores,
Onofre se deitou sem sequer lhe dar um boa-noite. Letícia não ligou muito. Foi
ao banheiro, escovou os cabelos e os prendeu, vestiu um shortinho e a blusa do
pijama e se deitou. Contudo, sua mente trabalhava as informações do acontecido
há pouco, espantando o seu sono.
“A
palavra branda fez com que ele se abrisse e se aproximasse. Talvez, se eu
apelasse para a razão, tivéssemos começado uma discussão, e o resultado seria
desastroso. Acho que, se eu seguir por esse caminho, conseguirei reestrutu…”
Cessou
o pensamento ao sentir a mão do marido passar por sua cintura e para em sua
barriga. Ela não conseguiu segurar a respiração arfada. A mão a segurava de
forma suave.
“Ele…
ele está me acariciando. Isso quer dizer que ele me…”
Mordeu
os lábios quando a mão desceu mais e tocou o seu clitóris. De imediato, ficou
molhada e ele percebeu. Bruscamente a puxou para si e a beijou com volúpia,
descendo em seguida para o seu pescoço e seios. A barba por fazer a arranhava,
mas o seu cérebro ignorava a dor em nome do prazer.
Com
um puxão, ele retirou o short e a calcinha de Letícia, e ela, com outro, a
blusa, deixando os grandes seios à mostra. E, num movimento bruto e direto,
Onofre a penetrou. Ardia, queimava, mas havia um desejo pelo marido, a
necessidade de sexo, a subserviência… a dor. Letícia entrou em colapso e gozou.
Ele sentiu o seu membro recebendo o jato de líquido quente, além dos espasmos,
os tremores, o prazer de sua mulher. Letícia sentiu a mão do esposo em seu
pescoço, como se tentasse esganá-la e, quase sem conseguir respirar, ela
sorriu. Virou-se de lado e só então ele começou os movimentos, similares ao
primeiro, em força e brutalidade. Letícia, ainda em confusão, gozava a cada
três ou quatro movimentos de Onofre.
—
Eu… não aguento… mais…
Em 4
minutos de relação, ela teve mais de 15 orgasmos.
—
Dessa vez, preciso que aguente.
Onofre
sabia que a esposa era detentora de orgasmos múltiplos, e que o longo tempo sem
sexo, a deixara bem sensível.
“Terei que corrigir isso”,
Ele fez um último movimento e ejaculou. Exausta Letícia apagou. O esposo a abraçou e cobriu com o cobertor. Ainda levou um tempo até adormecer.

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