Ardes - Capítulo 126

 

Nunca em sua vida dormiu tão bem, de forma tão agradável. E pretendia continuar deitada ali. Sentia um calor gostoso envolvê-la, algo aprazível, desejoso. Então sentiu a leve pressão em sua barriga, puxando-a para trás, ao mesmo tempo em que mexeu em seu cabelo. Com a mão, percorreu e identificou o braço que a segurava. Ao virar para trás, a satisfação:

“Rainen!”

Ele ainda dormia.

Não conseguiu mais deixar de observá-lo. A barba por fazer, o nariz, o queixo, a boca. Sentiu algo mais que um inocente prazer, mas foi interrompida por sua mãe. Elizabeth nada falou, mas, da porta, gesticulou para que a seguisse e Renata obedeceu. Enquanto a garota escovava os dentes, ouvia os cochichos da mãe:

— O que aconteceu ontem? Eu senti grande incômodo num certo horário. O que tem a dizer?

E Renata também cochichou:

— Me segue. — Ela pegou o envelope e ambas desceram para a cozinha. — Ainda quero voltar pra cama.

Sentadas à mesa, passou o envelope para a mãe, que o abriu e se chocou com as imagens.

— Meu Deus, Renata!

A garota comia uma fatia de mamão.

— Também estou sem saber o que fazer, mamãe.

— Faça o que fizer, tenha muita calma.

Elizabeth passava as fotos, uma por uma, vasculhando cada detalhe. Quando Renata deu mais uma colherada na fruta, Rainen apareceu na porta da cozinha. A senhora e a garota o olharam um pouco espantadas. A matriarca da família saía quando parou ao lado do rapaz e pediu:

— Não faça minha filha sofrer — cochichou séria.

— Não, senhora.

Sozinhos, ele caminhou e se sentou frente a frente com sua amada. Ela assistiu a Rainen pegar uma torrada, passar geleia e comer. Não foi uma tarefa fácil para o rapaz. Ao terminar, estendeu a mão sobre a mesa e falou:

— Renata, eu…

Ela segurou sua mão e o interrompeu:

— Não diga nada. — Fez uma pausa prolongada enquanto, triste, entrelaçava seus dedos nos dele. — O que eu precisava ouvir, já ouvi ontem.

— Não! — ele falou firme. — Você não se recolherá a este pensamento! Não admito!

— Você me viu… você me ouviu… presenciou o meu desespero… tudo causado pela possibilidade da sua ausência. Então o que concluo é que eu não vivo mais para mim… — E o olhou com devoção. — Eu vivo para você.

— Tão profundamente?

— Com a minha alma.

Ele se levantou e correu para junto dela.

— Eu te honro! E se acostume: que minhas palavras sejam a valia! — Ele tremeu em fúria. — E mesmo assim, te darei provas concretas de tudo o que te falo.

Renata se recostou em seu ombro e ele a envolveu.

— Eu te amo!

— Eu também te amo!

Nenhum comentário:

GUINEFAZ (História: Delas - Amor Proibido) [2]

Como instrutora e supervisora de sucubismo, Guinefaz tinha renome no Inferno, porém ambicionava ainda mais. Por esse motivo, viu na novata, ...