Nunca em sua vida dormiu tão bem, de forma tão agradável. E pretendia continuar deitada ali. Sentia um calor gostoso envolvê-la, algo aprazível, desejoso. Então sentiu a leve pressão em sua barriga, puxando-a para trás, ao mesmo tempo em que mexeu em seu cabelo. Com a mão, percorreu e identificou o braço que a segurava. Ao virar para trás, a satisfação:
“Rainen!”
Ele
ainda dormia.
Não
conseguiu mais deixar de observá-lo. A barba por fazer, o nariz, o queixo, a
boca. Sentiu algo mais que um inocente prazer, mas foi interrompida por sua
mãe. Elizabeth nada falou, mas, da porta, gesticulou para que a seguisse e
Renata obedeceu. Enquanto a garota escovava os dentes, ouvia os cochichos da
mãe:
— O
que aconteceu ontem? Eu senti grande incômodo num certo horário. O que tem a
dizer?
E
Renata também cochichou:
— Me segue. — Ela pegou o envelope e ambas desceram para a cozinha. — Ainda quero voltar pra cama.
Sentadas
à mesa, passou o envelope para a mãe, que o abriu e se chocou com as imagens.
—
Meu Deus, Renata!
A
garota comia uma fatia de mamão.
—
Também estou sem saber o que fazer, mamãe.
—
Faça o que fizer, tenha muita calma.
Elizabeth
passava as fotos, uma por uma, vasculhando cada detalhe. Quando Renata deu mais
uma colherada na fruta, Rainen apareceu na porta da cozinha. A senhora e a
garota o olharam um pouco espantadas. A matriarca da família saía quando parou
ao lado do rapaz e pediu:
—
Não faça minha filha sofrer — cochichou séria.
—
Não, senhora.
Sozinhos,
ele caminhou e se sentou frente a frente com sua amada. Ela assistiu a Rainen
pegar uma torrada, passar geleia e comer. Não foi uma tarefa fácil para o
rapaz. Ao terminar, estendeu a mão sobre a mesa e falou:
—
Renata, eu…
Ela
segurou sua mão e o interrompeu:
—
Não diga nada. — Fez uma pausa prolongada enquanto, triste, entrelaçava seus
dedos nos dele. — O que eu precisava ouvir, já ouvi ontem.
—
Não! — ele falou firme. — Você não se recolherá a este pensamento! Não admito!
—
Você me viu… você me ouviu… presenciou o meu desespero… tudo causado pela
possibilidade da sua ausência. Então o que concluo é que eu não vivo mais para
mim… — E o olhou com devoção. — Eu vivo para você.
—
Tão profundamente?
—
Com a minha alma.
Ele
se levantou e correu para junto dela.
— Eu
te honro! E se acostume: que minhas palavras sejam a valia! — Ele tremeu em
fúria. — E mesmo assim, te darei provas concretas de tudo o que te falo.
Renata
se recostou em seu ombro e ele a envolveu.
— Eu te amo!
— Eu também te amo!

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