Moma
tinha severas preocupações quanto a Samara, e só agora entendia a resposta de
Johnson, quando o questionou sobre a médica no churrasco do sindicato, fazia
duas semanas:
“— Você vai ver.”
Essa
fora a resposta à pergunta tão óbvia:
“—Terei algum problema com ela?”
A frase
quicava em sua mente, junto com as observações que fazia sobre a garota,
calculando os riscos que levaria ao seu lado profissional e para o seu noivado.
— Porra!
Xingou
diante da noiva, sentado na mesa de almoço em pleno domingo. À sua volta alguns
futuros parentes que o olharam espantados.
—
Algum problema, amor? — A voz da garota era serena.
— Me
desculpem. Me desculpem.
A
situação roubava sua calma. E ele tentava poupar a futura de qualquer problema
no serviço, mas estava ficando difícil.
—
Não é nada demais, minha vida. — Deu-lhe um selinho.
Moma
passava por um momento em que sentia uma pressão diferente, não apenas com
aproximação do casamento, mas com a aceitação. A família de sua noiva Fabíola
era riquíssima e ele apenas um trabalhador que frequentava a mesma igreja da
qual eles eram donos.
O rapaz se sentia um agraciado, mas sempre se questionou o porque de ser aceito
tão facilmente, sem maiores questionamentos.
“É um plano de Deus.” —
Respondia qualquer um a quem ele perguntasse.
O
que o desviou desse pensamento, ao menos por aqueles momentos, era o que estava
por vir referente à corregedoria. Sua a vontade de que eles afastassem Samara
imediatamente das funções. Não queria mais o risco da companhia da médica.
“Maldita
drogada!”
Que
viesse outra. Moma pegou um copo de guaraná e foi para a parte de fora da casa.
Respirou fundo tentando acalmar os nervos e não deixar aquilo acabar com o
resto de seu dia. Mas, de fato, era um problema que se não resolvesse, seria
tragado por ele.

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