Quando acordou, levou algum
tempo para se lembrar do lugar onde estava. Também não reconheceu a bela loira
que dormia ao seu lado. Esfregou os olhos tentando reanima-los. Só então se deu
conta da claridade que entrava pela janela. Pela intensidade da luz, presumiu
ser tarde. O que foi confirmado ao olhar para o relógio sob o criado mudo:
“9 horas! Cacete!”
Quase num pulo se levantou
da cama. Dali foi rápido para o banheiro, fazer a única coisa que realmente o
acordaria. Desligou o equipamento e abriu a válvula ao máximo. A água caiu
gélida sobre o seu corpo, dando um forte espasmo, mas ele já estava pouco
acostumado. Fechou o registro, ensaboou-se todo e religou para enxaguamento. Em
4 minutos estava frente ao espelho escovando e jogando o cabelo de lado. Dali
mesmo fez a ligação:
— Nogueira!
— Ah não! De novo não! — O
rapaz atendeu tendo boa noção do que ouviria.
— Lamento, cara. Vou me
atrasar.
— Vou não é o verbo correto. O certo é estou. — Brincou sério, Nogueira.
Mas Marcos sabia como lidar
com isso:
— Cara, a guria não me deu
paz a noite toda. Foi uma loucura. O quarto do motel está revirado.
— Seu filho de uma put... — Nogueira
fez uma pausa — Você disse guria? E motel?
— Sim! Uma loira que conheci
ontem na boate.
— Loucura? Loira? Boate? — Nova
pausa e complementou — Teve sexo selvagem?
Ele agora se vestia enquanto
entretia o colega.
— Exatamente! Fomos até 3 da
manhã. — Colocou o relógio e calçou os sapatos — Fotos, vídeo e o escambau.
— Você tá achando que vai me
engan... — Mais uma pausa e novo tom de voz — Espera! Você fez um vídeo
trepando com ela?
— Estava ensandecida, Nogueira.
Praticamente implorou por isso.
— E você, como o verdadeiro garçom
da promiscuidade, a serviu com tudo o que tinha.
Ele riu sabendo que, mais uma
vez, fisgara o amigo. Enquanto isso pegava seus últimos pertences.
— Cara, quando chegar aí eu
termino de te contar. Estamos no Atecubanos aqui no final de Taguatinga Sul. Já
chego aí. Até mais!
Desligou o telefone enquanto
observava a garota sobre a cama. Anotou um bilhete e colocou sobre o criado.
“O tempo urge!” — Pensou ao sair apressado.

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