Ardes - Capítulo 170

 


Horas antes, começaram os preparativos para a grande noite. Nem Rainen nem Renata foram trabalhar naquele dia. O rapaz contratou um dia de noivo, e, claro, não fez todos os procedimentos, mas a maioria. Pensou que não conseguiria passar por aquilo, porém sobreviveu. Quando chegou em casa, às 18h, foi recebido com alegria pela mãe, que sorria e chorava.

— Calma, dona Letícia.

— É difícil, filho. É mais um sonho que se realiza. — E o abraçou.

— Um dia saberei como é isso.

— Saberá, sim. — O pai entrou no quarto. — Mas te adianto que a sensação é indescritível.

E cumprimentou o filho.

— Obrigado, pai.

— Vamos te deixar à vontade para se preparar.

— Tudo bem.

Quando os dois saíram, Rainen se emocionou por um instante, sentindo a perna bambear. Sentou-se na beira da cama, respirou fundo, olhando para o terno preto pendurado na lateral do guarda-roupas. Ao chão, o par de sapatos lustrosos. Perdeu o foco desses objetos quando se lembrou de Renata e do que estaria fazendo.

Distante dali, Renata estava no centro estético desde cedo, com previsão de saída por volta de 21h. Terminando os procedimentos, iria direto para a igreja. Elizabeth acompanhava tudo de perto. O sorriso foi uma constante no rosto da noiva, até que, por volta de 20h, ele se desfez.

— Algo a incomoda? — percebeu Elizabeth.

— Preocupação com a Bruna.

— Ela tem a mim e ao seu pai. Não se preocupe com isso agora.

— Não consigo parar de pensar que a partir de hoje o nosso contato, que já era pouco, diminuirá mais ainda.

— Nós faremos o possível para ajudá-la. Agora tente se manter focada nos acontecimentos de logo mais. Tem um rapaz que deve estar ansioso para encontrá-la.

As palavras, somadas à recordação de Rainen a fizeram sorrir.

— O meu amado! — Emocionou-se.

— Não chora! Não chora, senão a maquiagem borra — pediu a mãe.

Ambas riram.

— Espero que eu seja feliz assim como a senhora e o papai.

— Será mais.

— Tudo pronto! — informou a atendente do estabelecimento.

— Ai, meu Deus! — Renata sentiu a euforia lhe tomando.

Outros atendentes vieram para ajudá-la a entrar no carro, que a aguardava logo na frente. Assim como ela, outras três noivas também saíam preparadas para os seus casórios.

— Essa hora é só sua e do Rainen, aproveita bastante.

Enquanto a noiva entrava no veículo, Elizabeth voltou para o estabelecimento e fez uma ligação.

— Rainen? Estamos saindo.

— Obrigado, Elizabeth!

— Por nada… genro.

Riram tensos.

Sozinho em casa, o rapaz já estava paramentado, faltando apenas o paletó, que pegou e colocou no ombro. Foi um pouco nervoso em direção à porta da casa.

— Em algumas horas, parte da minha vida mudará — disse saindo.

Já na igreja, o grupo de pessoas chegava de forma cadenciada. Estavam ali Tony e sua namorada, Lendoval e Valéria, os pais dos noivos, exceto por Elizabeth que viria com a filha, Taíde e Inês, Edwin e outros poucos conhecidos. A ausência mais percebida foi a de Bruna.

Havia um clima de celebração no ar. E foi naquele instante que os convidados ouviram a caminhonete chegando. Sabiam se tratar de Rainen. Em seguida, o som de pneus derrapando, uma freada brusca e o barulho de um acidente. Todos olharam para fora, e alguns ainda viram o noivo correndo em outra direção. Depois a noiva correndo na mesma direção. A noite, que era de festa, se verteu em tragédia e desespero.

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