Horas
antes, começaram os preparativos para a grande noite. Nem Rainen nem Renata
foram trabalhar naquele dia. O rapaz contratou um dia de noivo, e, claro, não fez todos os procedimentos, mas a
maioria. Pensou que não conseguiria passar por aquilo, porém sobreviveu. Quando
chegou em casa, às 18h, foi recebido com alegria pela mãe, que sorria e
chorava.
—
Calma, dona Letícia.
— É
difícil, filho. É mais um sonho que se realiza. — E o abraçou.
— Um
dia saberei como é isso.
—
Saberá, sim. — O pai entrou no quarto. — Mas te adianto que a sensação é
indescritível.
E
cumprimentou o filho.
—
Obrigado, pai.
—
Vamos te deixar à vontade para se preparar.
— Tudo bem.
Quando
os dois saíram, Rainen se emocionou por um instante, sentindo a perna bambear.
Sentou-se na beira da cama, respirou fundo, olhando para o terno preto
pendurado na lateral do guarda-roupas. Ao chão, o par de sapatos lustrosos.
Perdeu o foco desses objetos quando se lembrou de Renata e do que estaria
fazendo.
Distante
dali, Renata estava no centro estético desde cedo, com previsão de saída por
volta de 21h. Terminando os procedimentos, iria direto para a igreja. Elizabeth
acompanhava tudo de perto. O sorriso foi uma constante no rosto da noiva, até
que, por volta de 20h, ele se desfez.
—
Algo a incomoda? — percebeu Elizabeth.
—
Preocupação com a Bruna.
—
Ela tem a mim e ao seu pai. Não se preocupe com isso agora.
—
Não consigo parar de pensar que a partir de hoje o nosso contato, que já era
pouco, diminuirá mais ainda.
—
Nós faremos o possível para ajudá-la. Agora tente se manter focada nos
acontecimentos de logo mais. Tem um rapaz que deve estar ansioso para
encontrá-la.
As
palavras, somadas à recordação de Rainen a fizeram sorrir.
— O
meu amado! — Emocionou-se.
—
Não chora! Não chora, senão a maquiagem borra — pediu a mãe.
Ambas
riram.
—
Espero que eu seja feliz assim como a senhora e o papai.
—
Será mais.
—
Tudo pronto! — informou a atendente do estabelecimento.
—
Ai, meu Deus! — Renata sentiu a euforia lhe tomando.
Outros
atendentes vieram para ajudá-la a entrar no carro, que a aguardava logo na
frente. Assim como ela, outras três noivas também saíam preparadas para os seus
casórios.
—
Essa hora é só sua e do Rainen, aproveita bastante.
Enquanto
a noiva entrava no veículo, Elizabeth voltou para o estabelecimento e fez uma
ligação.
—
Rainen? Estamos saindo.
—
Obrigado, Elizabeth!
—
Por nada… genro.
Riram
tensos.
Sozinho
em casa, o rapaz já estava paramentado, faltando apenas o paletó, que pegou e
colocou no ombro. Foi um pouco nervoso em direção à porta da casa.
— Em
algumas horas, parte da minha vida mudará — disse saindo.
Já na igreja, o grupo de pessoas chegava de forma cadenciada. Estavam ali Tony e sua namorada, Lendoval e Valéria, os pais dos noivos, exceto por Elizabeth que viria com a filha, Taíde e Inês, Edwin e outros poucos conhecidos. A ausência mais percebida foi a de Bruna.
Havia um clima de celebração no ar. E foi naquele instante que os convidados ouviram a caminhonete chegando. Sabiam se tratar de Rainen. Em seguida, o som de pneus derrapando, uma freada brusca e o barulho de um acidente. Todos olharam para fora, e alguns ainda viram o noivo correndo em outra direção. Depois a noiva correndo na mesma direção. A noite, que era de festa, se verteu em tragédia e desespero.
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