Ardes - Capítulo 100

 

— E foi por isso que fiz o pedido de noivado. Não o faria se a situação não fosse favorável.

Rainen narrou a proposta de Edwin diante de seus pais e dos pais de Renata, reunidos à mesa da cozinha. Do quarto, Bruna ouvia toda a conversa.

— Nada disso me admira. Não consigo pensar que você faria algo diferente do que fez.

— Era um pensamento que guardava comigo, Mario, esperando a hora certa. — Ele olhou para Renata que lhe sorriu. — E apareceu.

— Letícia… — Mario voltou-se para ela. — Você não tem mais um filho sobrando, não?!

Todos riram.

— Mario! — a esposa chamou sua atenção.

— Tá bom, foi uma tentativa de piada. — E ele ficou sério de novo. — Não me agradou nem um pouco o que vi essa noite.

Referia-se à presença de Marcus.

— É difícil, eu sei, mas conversaremos com Bruna depois. Agora há um casamento em proposição.

E ele sorriu novamente.

— É verdade. — E voltou para aquele momento. — Meu Deus! Minha filhotinha vai se casar. Eu nem acredito.

Mario sentiu os olhos marejarem, mas se conteve.

— E como pensam em fazer durante o noivado? — Elizabeth tinha preocupações adicionais.

Rainen iniciou:

— Tudo o que falarmos aqui é um projeto ainda em definição e totalmente flexível.

— Entendo — Mario gostava da forma objetiva como o genro via as coisas.

— A priori, tenho pouca renda. Nesse momento, Renata ganha três vezes mais que eu. Então, mesmo com a dispensa do exército e a proposta de Edwin, estou negociando com Tony para dar continuidade aos serviços extras que já fazia lá.

— Meu filho, isso não te desgastará muito? — Letícia também se preocupava.

— Talvez por agora, mas a médio prazo as coisas tendem a se encaixar.

— Não precisamos tanto — Renata tomou a palavra.

— Um casamento não sai barato, e prefiro não correr riscos.

— Rainen, eu não vou te sacrificar em nome de uma festa. — A garota fixou o olhar nele.

— Eu vou…

Mas foi interrompido pelo choro de Mario.

— Me desculpem! A culpa de tudo isso é minha. Eu deveria bancar essa festa e, se possível, dar uma casa para vocês morarem, mas as pendências na justiça obrigam que eu pague minhas dívidas sob pena de prisão, caso não o faça.

— Paizinho… — Renata o abraçou. — Não fique assim, não por nossa causa. E sinceramente eu prefiro uma viagem de lua de mel a uma festa que nem aproveitarei.

— É verdade, Mario. — Rainen colocou a mão no ombro do sogro. — E ainda estamos distantes da data do casamento, podem acontecer muitas coisas daqui até lá. Então não se preocupe tanto.

— Desculpe se também não podemos ajudar tanto, meu filho — Leticia se consternou com a situação.

— Renata e eu lutaremos, e juntos conquistaremos nossos objetivos.

Mas na mente dos mais experientes pairavam as dificuldades de um relacionamento limitado pela falta de recursos e do risco que isso representava.

A conclusão a que todos chegaram foi de que trabalho e tempo seriam fundamentais para mudar o rumo que as coisas seguiam.

“Tempo…”

A mente de Bruna trabalhava, enquanto ela estava deitada em sua cama.

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